Expansão do Mercosul dominará as discussões da Cúpula do Rio
A Cúpula de Líderes do Mercosul começa nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, com a missão de trazer credibilidade a um bloco econômico abalado por divergências internas e uma política pouco clara de inclusão de novos membros. Por isso, a cúpula do Rio vai ser um palco para discutir desavenças regionais, a entrada da Bolívia e do Equador no bloco e a associação do Mercosul com outras forças regionais.
Embora tenha somente cinco membros plenos, o bloco econômico, composto por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, soma um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1 trilhão, ou o equivalente a três quartos de todas as riquezas geradas na América do Sul, segundo o Ministério do Desenvolvimento. O Mercosul é especialmente lucrativo para o Brasil, que vende bem mais do que compra das demais nações associadas.
Para cada US$ 1 comprado em mercadorias da Venezuela, que entrou no Mercosul em 2006, o Brasil vende US$ 7. "O país tem muito a lucrar com o Mercosul, porque tem a economia mais desenvolvida do continente", ressalta o economista Raul Veloso, consultor e professor da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Por sua inegável importância econômica para a América do Sul, a reunião no Rio de Janeiro atraiu os principais líderes do continente: desde praticantes da economia de mercado, como Michelle Bachelet (Chile) e Alvaro Uribe (Colômbia), até os “neo-socialistas” Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador). Morales e Correa vêm à cúpula com um objetivo específico: garantir o status de membro pleno do bloco econômico.
A orientação política de extrema esquerda dos dois governantes não deve ser empecilho para a entrada dos dois países no Mercosul, já que Hugo Chávez foi aceito sem problemas. Para a Bolívia, a insistência na isenção de tarifas que já foi negada ao México e ao Chile e a discussão do preço do gás natural fornecido ao Brasil podem ser fatores de impedimento da adesão.
Para crescer, o Mercosul também precisa conquistar aliados. Após a malfadada tentativa de formar uma área de comércio livre com a União Européia, agora o foco parece estar em bloco econômicos alternativos, como o Conselho de Cooperação do Golfo, do qual participam seis monarquias produtoras de petróleo: Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Oman e Bahrain.
O “namoro” entre o Mercosul e as monarquias árabes começou em 2005, e espera-se que alguma decisão relativa à formação de uma área livre de comércio entre os dois blocos econômicos saia nos próximos dias.
Papel do Brasil
À medida que o bloco cresce e acomoda vozes dissonantes, de “socialistas do século 21” a “cabeças de mercado”, o papel conciliador do Brasil no Mercosul fica ainda mais evidente, segundo especialistas em economia e política internacional ouvidos pelo G1. Como principal economia e membro de maior apelo político do continente, cabe ao país pagar o preço da liderança, adotando posições de centro.
A recente nacionalização das reservas de petróleo e gás da Bolívia, que resultou em prejuízos para a Petrobras, é um exemplo do ônus que o Brasil tem de pagar para manter o equilíbrio em uma região que comporta direcionamentos político-econômicos diversos. "O Brasil agiu até com certa complacência e usou um foco político para avaliar a questão, pois o equilíbrio do Mercosul depende de fatores não-econômicos", afirma o economista Raul Veloso.
Na avaliação do cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a posição brasileira tem sido bastante eficiente. "O Brasil é necessariamente mais maduro e pragmático, uma vez que o país tem uma economia muito mais vinculada à globalização do que seus pares no Mercosul", ressalta.
Fonte: G1, O Globo>
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