Publicada em 18 de junho de 2019 às 9h17

Escola do SESI tem desempenho igual ao de Cingapura em Matemática

O uso de abordagens pedagógicas modernas, como o STEAM e a robótica, colocam as escolas do SESI em destaque em testes nacionais e internacionais, como o Pisa e o Ideb

 

As apostas pedagógicas das escolas administradas pela indústria brasileira vêm mostrando resultados positivos para os estudantes e ajudando a melhorar os índices educacionais brasileiros. Duas escolas do Serviço Social da Indústria (SESI) se destacaram na mais importante avaliação educacional do mundo: o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2017  (Pisa, na sigla em inglês), na categoria Pisa for Schools (Pisa para Escolas). O desempenho mais notável foi o de Matemática dos estudantes da Escola SESI Alvimar Carneiro de Rezende, localizada no município de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A média alcançada foi igual a de Cingapura, país com o mais alto rendimento na última edição do Pisa, em 2015.

O relatório do Pisa mostrou que os alunos de Contagem tiveram nota 564,1 no teste aplicado à Matemática. Os estudantes de Cingapura, 564. No Brasil, a média é 377.  A avaliação mensura a capacidade dos alunos de formular, empregar e interpretar a Matemática em distintos contextos. Na Alvimar Carneiro de Rezende, 32% dos estudantes possuem os níveis mais elevados de proficiência – este percentual é três vezes superior à média alcançada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que concentra apenas 10,7% dos alunos nestes níveis. Comparativamente, 1% dos alunos das escolas de todo o Brasil e 35% dos alunos de Cingapura atingem essas médias.

A escola de Contagem teve notas mais altas que a média brasileira em Leitura e Ciências. Em Leitura, a pontuação foi de 525,2, ficando atrás apenas de índices de países como Cingapura, Hong Kong, Canadá e Finlândia. O domínio do Pisa para Escolas avalia a aplicação ativa, intencionada e funcional da leitura em uma variedade de situações e finalidades. Alunos cuja proficiência se encontra nos níveis mais elevados são capazes de avaliar, de forma crítica, textos desconhecidos e desenvolver hipóteses a respeito deles.

Na área de Ciências, a nota da escola mineira foi 514,5 – a média brasileira é de 401. O domínio da matéria afere a capacidade dos estudantes de explicar fenômenos, avaliar e planejar investigações e interpretar dados e evidências de maneira científica. Na escola mineira, 2% dos alunos atingiram os níveis mais elevados em Ciências. Comparativamente, 1% dos alunos do Brasil e 24% dos alunos de Cingapura alcançam tais níveis de proficiência. “Quando a gente recebeu o relatório (do Pisa) foi muito emocionante. É uma prova externa chancelando o trabalho de qualidade feito na escola”, analisa Rachel Timm Pisoler, diretora da Alvimar Carneiro.

MOTIVAÇÃO – Café. Foco. Força. Deus. Essas quatro palavras estão estampadas em post-its coloridos na pequena escrivaninha branca do quarto impecavelmente arrumado da jovem Júlia Ellen Campolina de Oliveira, 17 anos. Outras frases motivacionais compõem o espaço destinado aos estudos. “Aquele que não luta pelo futuro que quer, deve acessar o futuro que vier”, diz outra citação escrita à mão. Júlia mora com a família no município de Contagem em um prédio localizado a poucas quadras da escola que estuda, a Alvimar Carneiro. Os pais têm uma pequena padaria na região.

A estudante foi selecionada com mais 84 estudantes da escola para fazer a prova da OCDE, que foi realizada no Brasil pela Fundação Lemann. Trata-se da primeira edição do Pisa para as Escolas no país. A escolha das instituições foi feita a partir de uma amostra que levou em consideração os resultados em avaliações nacionais e o nível socioeconômico dos alunos.

Atualmente, a Alvimar Carneiro tem 1.858 alunos nos turnos da manhã e tarde. “Quando eu soube que fui selecionada, me senti muito importante porque não é uma avaliação só para o SESI, mas para o Brasil”. Júlia analisa que achou a prova do Pisa diferente das que ela faz comumente, pois traz questões relacionadas à vida em sociedade, convivência e mede a capacidade do aluno de resolver situações cotidianas. “Foi uma prova tranquila porque eu tinha base. Tinha questões de Matemática envolvendo aço e alumínio, por exemplo, que eu sabia porque tinha feito o técnico em mecânica do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) no contraturno durante o 1º e 2º anos”.

A escola Alvimar Rezende possui 9.522 m² e ocupa praticamente um quarteirão inteiro de uma região altamente industrializada e com vários galpões logísticos para escoar as mercadorias. A instituição tem 37 anos e atende prioritariamente filhos de industriários. A renda média familiar é de 2 a 3 salários-mínimos. A mãe de Júlia, a salgadeira e confeiteira Sandra Maria Campolina, 49 anos, conta que a filha sempre estudou no SESI – tanto ensino infantil, quanto o fundamental e o médio – e consegue ver os diferenciais quanto ela compara a filha com os sobrinhos. “A forma de cobrança da instituição e a qualidade do ensino – que sempre se manteve -, me fizeram gostar da escola, tanto que quando escolhemos morar neste apartamento, priorizamos o fato dele ser perto da escola”. Agora Sandra espera que a filha consiga realizar o sonho de entrar em uma universidade de medicina.

Outra escola destaque no Pisa para Escolas foi o Centro Educacional SESI nº 32, em Belenzinho, zona Leste de São Paulo. A pontuação em Matemática foi mais alta que a média nacional (456,4 pontos). Em Leitura, a nota foi 506,2, acima da média brasileira de 407 pontos. Na escola paulista, 6% dos alunos possuem os níveis mais elevados de proficiência em Leitura. Comparativamente, 1% dos alunos do Brasil atingem tais níveis de proficiência e 18% dos alunos de Cingapura. Na área de Ciências, a nota da unidade paulista foi 466,6 – a média brasileira é de 401.

ESCOLHAS PEDAGÓGICAS – O SESI possui 501 escolas de ensino fundamental e médio em todo o território brasileiro. No intuito de preparar os estudantes para formação crítica e articulada com o mercado de trabalho e o futuro das profissões, a rede tem feito escolhas pedagógicas que começam a surtir efeito positivo em exames nacionais e internacionais. Além do bom desempenho no Pisa, as escolas da indústria também se destacaram no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017, promovido pelo Ministério da Educação. O indicador foi criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas brasileiras.

Em 2017, das 219 escolas de ensino médio do SESI avaliadas, 89 ficaram em 1º lugar no município onde se localizam e 80 nas 2ª e 3ª posições. São cidades em todo o país dos perfis mais diversos – desde capitais, como Palmas (TO), a municípios maiores como Uberlândia (MG) e Aparecida de Goiânia (GO) e pequenas localidades como São Miguel do Oeste (SC). Em todo o Brasil, 9.597 escolas participaram do Ideb do ensino médio.

Na análise de Paulo Mól, diretor de operações do SESI, os resultados dos estudantes do SESI devem-se a série de fatores, que vão desde a formação continuada de professores, passando pela infraestrutura oferecida nas escolas e metodologias pedagógicas modernas, em conformidade com as necessidades de uma sociedade 4.0. Ele destaca o uso do STEAM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) em sala de aula – a abordagem enfatiza os conteúdos da área de exatas e dá maior protagonismo para os alunos. Entre os programas oferecidos pela rede e que usam esta tendência pedagógica estão a robótica educacional – inserida em 2006 e hoje presente em todas as escolas do SESI – e o programa Acesse, que integra Arte e conhecimentos em Ciências, Tecnologia e Matemática.

“Os resultados positivos mostram que as escolas do SESI têm sido essenciais para a formação de qualidade dos estudantes brasileiros. São esses alunos que vão construir o Brasil realmente conectado com o futuro”, opina. O diretor de operações destaca ainda o efeito escola garantido pelo bom desempenho dos alunos nos testes nacionais e internacionais. Para ele, a rede SESI vem conseguindo atenuar os fatores extraescolares, como a escolaridade dos pais e a renda familiar. No perfil socioeconômico das famílias dos alunos de ensino médio, apenas 30% das mães têm ensino superior, na rede privada esse percentual é de 51% e a renda familiar média é de 2 a 3 salários mínimos. A literatura acadêmica sobre o assunto diz que a influência socioeconômica do aluno pode variar de 50 a 70%  no seu desempenho.

PISA EDIÇÃO 2017 – Em outubro de 2017, 46 escolas brasileiras participaram do Pisa para Escolas. A Fundação Lemann é a realizadora da iniciativa no Brasil. Na edição 2017, foram selecionadas escolas de seis estados, sendo eles: Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Dessas 46, 72% eram escolas públicas das redes estaduais e federal e 28% eram privadas com diferentes tipos de financiamento. As origens socioeconômicas dos alunos dessas escolas eram diversas, variando de -2 a 1,19 no Índice de Situação Econômica, Social e Cultural (ESCS, na sigla em inglês) do PISA, sendo 0 a média da OCDE.

PISA – O Pisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é um estudo internacional que foi lançado em 1997 pela OCDE e aplicado pela primeira vez em 2000. E, atualmente abrange 80 países. A cada três anos, a avaliação do Pisa fornece dados comparativos sobre o desempenho de alunos de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências.

IDEB – É o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Uma das primeiras iniciativas brasileiras para medir a qualidade do aprendizado nacionalmente e estabelecer metas para a melhoria do ensino. O Ideb foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), uma autarquia do Ministério da Educação (MEC). O Ideb é calculado a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep.

 

NÚMEROS IDEB

– 9.597 ESCOLAS BRASILEIRAS PARTICIPARAM DO IDEB DO ENSINO MÉDIO;

– 219 ESCOLAS ERAM DO SESI;

– 89 ESCOLAS DO SESI FICARAM EM PRIMEIRO LUGAR NA PONTUAÇÃO GERAL NO MUNICÍPIO;

– 80 ESCOLAS FICARAM EM SEGUNDO OU TERCEIRO LUGAR NA PONTUAÇÃO GERAL DO MUNICÍPIO.

 

SUGESTÕES DE FONTES

– Paulo Mól, diretor de operações do SESI;

– Júlia Ellen Campolina de Oliveira, 17 anos, estudante do SESI que fez participou do Pisa para escolas, em Minas Gerais;

– Camila Pereira, diretora de educação da Fundação Lemman. Contato: Aline Okada, coordenadora de Comunicação (11) 3897-9670 ou pelo e-mail alineokada@fundacaolemann.org.br.

 

Mais informações: https://fundacaolemann.org.br/noticias/pisa-para-escolas.

 

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