Projeto prepara indústria ceramista para crescer

Uma parceria que deu certo entre a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e o Sebrae Amazonas está não só fortalecendo o pólo oleiro cerâmico de Iranduba e Manacapuru, como proporcionando a adoção de estratégias capazes de aumentar a competitividade das empresas no mercado. Trata-se do "Projeto Geor/Procompi (Gestão Estratégica Orientada para Resultados/Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias) Pólo Oleiro Cerâmico de Iranduba e Manacapuru", que no triênio 2007/2009 conta com um orçamento superior a R$ 500 mil.
As atividades do projeto, realizadas no ano passado, contemplaram desde a oferta de seminários de sensibilização para qualidade e cursos técnicos às empresas, até visitas à 15ª Feira Internacional da Construção (Feicon-SP) e à Escola Mário Amato, unidade do SENAI de São Bernardo do Campo (SP) que é referência nacional na área de cerâmica vermelha.
Para avaliar o que já foi executado e definir o calendário de atividades deste ano, representantes do Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria (DAMPI), do Sebrae Amazonas, prefeituras dos dois municípios, do governo do Amazonas e dos ceramistas se reuniram no dia 4 de dezembro, no Tiwa Amazonas Ecoresort, em Iranduba, a 25 quilômetros de Manaus.
Ao fim do encontro, os empresários haviam produzido bem mais que um cronograma, com a indicação de alternativas que podem ampliar a participação do pólo na cadeia da construção civil.
Uma dessas iniciativas é a aproximação que já está acontecendo entre a Associação dos Ceramistas de Iranduba e Manacapuru (Acerim) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon).
Segundo o proprietário da Cerâmica Montemar, Sandro Santos, a parceria com o Sinduscon é fundamental para que o segmento ceramista diversifique sua produção, hoje concentrada no tijolo de oito furos, e passe a fabricar blocos cerâmicos de tamanhos variados. "Nossa indústria e toda a mão-de-obra das empresas se estabeleceram na cultura do tijolo comum. Queremos saber o que as construtoras estão precisando. Temos condição de fazer um produto melhor, mais barato e ecológico", afirmou.
O proprietário da Cerâmica Rio Negro, Antônio da Mata, observou que, enquanto produtores, os ceramistas têm que se adequar às necessidades das construtoras.
De acordo com o presidente da Acerim, Frank Pereira, os tijolos convencionais representam mais de 90% da produção dos municípios de Iranduba e Manacapuru, que hoje abrigam 30 fábricas. Juntas, as empresas fabricam 35 toneladas ao mês e geram aproximadamente dois mil empregos diretos.
DE OLHO NAS OPORTUNIDADES
O diretor da Comissão de Materiais de Construção (Comat) do Sinduscon, Robério Arruda, assinalou que o pólo ceramista não pode perder a oportunidade de produzir blocos em meio ao atual aquecimento da construção civil em Manaus. O empresário afirmou que são poucas as empresas que ampliaram seu portfólio de produtos. "Todas as construtoras vão correr para o bloco de cimento, mas no pólo de Iranduba e Manacapuru as poucas indústrias que o produzem têm uma linha limitada de modelos para a alvenaria estrutural", lamentou.
Para o gestor do Geor no Sebrae/AM, Marcus Lima, as indústrias têm que assumir um posicionamento estratégico, deixando a cultura do tijolo comum e partindo para outras soluções em cerâmica vermelha. "Apesar de não ser o produto mais caro na construção, a cerâmica impacta no processo produtivo", defendeu.
Conforme Marcus, já que não existe uma fidelidade da clientela no mercado, as empresas devem se unir para aumentar sua competitividade. "Queremos que eles entendam que o trabalho cooperativista e a mudança de cultura representam a grande saída do setor. Antes os empresários não participavam de atividades conjuntas, mas com o projeto tornou-se possível sistematizar as ações e aplicá-las de forma coordenada com os parceiros", explicou.
A coordenadora das ações do Procompi, no DAMPI, Regina Marques, argumentou que se os ceramistas trabalharem juntos, eles vão ter mais força para conseguir benefícios para o setor. "E todos contribuem porque é esse o objetivo, promover o desenvolvimento em todos os âmbitos. Enquanto o Geor desenvolve a gestão, o Procompi é responsável pelo processo de produção", enfatizou.
Segundo Marcus, este projeto do Geor/Procompi recebeu recursos acima de R$ 100 mil em 2007 e vai ter um orçamento da ordem de R$ 400 mil no biênio 2008/2009. Neste ano, o Sebrae e a FIEAM vão disponibilizar cursos e consultorias às empresas na área de cerâmica vermelha, bem como atuar na saúde, segurança do trabalho e produção mais limpa das organizações, estimulando a redução de desperdícios e a otimização dos processos. "Vamos entrar também com a produção de materiais de divulgação que já começamos a desenvolver, como catálogo de produtos, folder e site da Acerim", antecipou.
Outra iniciativa que o projeto quer iniciar em 2008 é a Central de Negócios do pólo oleiro cerâmico de Iranduba e Manacapuru, que tem como finalidade criar e fortalecer uma marca para os tijolos fabricados nos municípios e unificar os processos de compra e venda dos associados.
A idéia já ganhou inclusive apoio governamental, conforme afirmou o secretário de Geodiversidade e Recursos Hídricos do Estado do Amazonas, Daniel Nava. "Nossa intenção é agregar todo o planejamento estratégico do pólo cerâmico ao trabalho da secretaria, e a Central de Negócios pode ser o ponto de grande incentivo para a associação. É preciso consolidar a marca do setor, porque o empresariado quer produtos padronizados", frisou.
Na perspectiva de Nava, se os empresários conseguirem associar a marca a um produto feito com qualidade e sustentabilidade, o segmento estará apto a conquistar novos mercados.